Quem empreende pode investir na própria aposentadoria ao combinar a contribuição ao INSS com investimentos complementares como previdência privada, Tesouro Direto e CDBs — e adaptar os aportes à realidade de uma receita que oscila mês a mês. O ponto de partida é entender que o INSS do MEI, no modelo padrão, garante aposentadoria de apenas um salário mínimo, o que pode representar uma queda considerável em relação ao padrão de vida atual. Construir renda adicional para o futuro, portanto, depende de uma estratégia que vá além da contribuição previdenciária obrigatória.
Ao longo deste artigo, você vai encontrar uma explicação clara sobre como funciona a contribuição ao INSS para quem empreende, quais são as opções de investimento mais acessíveis para complementar a aposentadoria, e — o ponto que poucos abordam — como manter aportes com consistência quando a receita varia de mês para mês.

Como funciona a aposentadoria pelo INSS para quem empreende
Antes de pensar em investimentos complementares, vale entender o que o INSS já oferece a quem empreende e como essa base pode impactar o valor da aposentadoria no futuro.
Plano Simplificado e Plano Normal: diferenças no valor da aposentadoria
O MEI contribui ao INSS por meio do DAS, pagando 5% sobre o salário mínimo vigente. Esse modelo, conhecido como Plano Simplificado, garante o direito à aposentadoria por idade — aos 65 anos para pessoas do sexo masculino e aos 62 para pessoas do sexo feminino, com ao menos 15 anos de contribuição. O limite, porém, é que o benefício fica restrito a um salário mínimo.
Existe uma alternativa pouco conhecida: o Plano Normal, que combina os 5% do DAS com um complemento de 15% recolhido via GPS, totalizando 20% sobre o salário de contribuição. Com esse modelo, a aposentadoria passa a ser calculada pela média salarial ao longo da vida profissional. Para quem teve períodos como CLT com remuneração acima do mínimo, isso pode representar um benefício significativamente maior.
A escolha entre os dois planos depende do histórico de contribuições e do salário médio ao longo da carreira. Quem migrou de um emprego formal para o empreendedorismo, por exemplo, pode ter interesse em manter o Plano Normal para preservar a média salarial acumulada.
Benefícios previdenciários além da aposentadoria
O INSS não garante apenas a aposentadoria. Ao manter as contribuições em dia, quem empreende como MEI também tem acesso a outros benefícios que funcionam como proteção contra imprevistos:
- Auxílio-doença: para afastamentos por incapacidade temporária
- Aposentadoria por invalidez: em casos de incapacidade permanente
- Salário-maternidade: para quem precisa se afastar após o nascimento ou adoção de um filho
- Pensão por morte: para os dependentes em caso de falecimento do contribuinte
- Auxílio-acidente: em situações de sequelas que reduzam a capacidade de trabalho
Esses benefícios reforçam a importância de manter o DAS em dia, não apenas como obrigação fiscal, mas como uma rede de proteção real para quem empreende e para sua família.
Por que o INSS pode não ser suficiente para a aposentadoria de quem empreende
A aposentadoria pelo Plano Simplificado equivale a um salário mínimo — e, para muitas pessoas que constroem um negócio ao longo de anos, esse valor pode representar uma redução drástica em relação à renda atual. Mesmo pelo Plano Normal, a média salarial calculada pelo INSS nem sempre reflete o padrão de vida que a pessoa deseja manter na aposentadoria.
Há outro fator que costuma atrasar o planejamento: quem empreende tende a reinvestir no próprio negócio e a deixar a previdência pessoal para depois. O Brasil tem cerca de 25 milhões de trabalhadores por conta própria, segundo dados do IBGE, e grande parte desse grupo não tem uma estratégia estruturada para a aposentadoria além da contribuição ao INSS. A rotina intensa de quem toca um negócio faz com que pensar no futuro de longo prazo fique em segundo plano — o que é compreensível, mas pode ter consequências significativas com o passar dos anos.
A boa notícia é que construir uma estratégia complementar não exige grandes valores iniciais. O que faz diferença, como veremos a seguir, é a consistência ao longo do tempo.
Opções de investimento para aposentadoria além do INSS
Complementar o INSS com outros investimentos pode fazer diferença no valor da renda futura. Cada opção tem características próprias de risco, prazo e rentabilidade que se encaixam em perfis diferentes.
Previdência privada: PGBL e VGBL para quem empreende
A previdência privada é uma das alternativas mais usadas para complementar a aposentadoria, e oferece dois formatos principais com tratamentos tributários distintos:
- PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre): permite deduzir as contribuições da base de cálculo do Imposto de Renda, com limite de 12% da renda bruta anual. Indicado para quem faz a declaração completa do IR.
- VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre): a tributação incide apenas sobre os rendimentos no momento do resgate. Mais adequado para quem usa a declaração simplificada ou já atingiu o limite de dedução do PGBL.
Ambos os planos permitem flexibilidade nos aportes — é possível contribuir com valores variáveis, o que se adapta bem à realidade de renda irregular de quem empreende. O prazo de resgate e a tabela tributária (progressiva ou regressiva) também influenciam na escolha do produto mais adequado para cada perfil.
Renda fixa: Tesouro Direto, CDBs, LCIs e LCAs
Para quem prefere investimentos com menor volatilidade, a renda fixa oferece alternativas acessíveis e com diferentes perfis de retorno:
- Tesouro IPCA+: título público que combina uma taxa prefixada com a variação da inflação, o que preserva o poder de compra ao longo do tempo. Indicado para objetivos de longo prazo como a aposentadoria.
- CDBs (Certificados de Depósito Bancário): emitidos por bancos, com rentabilidade atrelada ao CDI. Alguns oferecem liquidez diária, outros têm prazo definido com retorno maior.
- LCIs e LCAs (Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio): isentas de Imposto de Renda para pessoas físicas, o que pode tornar o rendimento líquido competitivo em relação a outras opções de renda fixa.
Uma carteira de renda fixa diversificada entre esses instrumentos poderia equilibrar liquidez, proteção contra inflação e rentabilidade, dependendo do horizonte de investimento e do perfil de cada pessoa.
Diversificação com fundos imobiliários e fundos de ações
Quem tem horizonte de investimento mais longo e tolerância a oscilações pode considerar ativos com maior potencial de retorno:
- Fundos imobiliários (FIIs): permitem receber rendimentos mensais sem precisar comprar um imóvel diretamente. Os rendimentos distribuídos são isentos de IR para pessoas físicas em determinadas condições, e o investimento inicial pode ser acessível.
- Fundos de ações: têm maior volatilidade no curto prazo, mas historicamente tendem a oferecer retornos mais expressivos no longo prazo. Podem ser uma parcela da carteira para quem ainda está distante da aposentadoria.
A diversificação entre renda fixa e renda variável pode ser uma estratégia de equilíbrio — concentrar tudo em um único tipo de investimento expõe a carteira a riscos desnecessários.

Como manter aportes consistentes com renda variável de empreendedor
Um dos maiores desafios de quem empreende é lidar com a oscilação de receita mês a mês. Adaptar a estratégia de aportes a essa realidade pode ser o diferencial entre investir com regularidade ou desistir no caminho.
Estratégia de percentual sobre a receita líquida
Em vez de definir um valor fixo mensal para investir — o que pode ser inviável em meses de receita baixa —, uma abordagem mais compatível com a renda variável é separar um percentual da receita líquida. Uma referência comum é entre 10% e 20%, ajustada conforme o desempenho do mês.
Essa lógica traz dois benefícios práticos. Primeiro, o aporte se torna proporcional à capacidade financeira do momento, sem criar pressão em meses mais fracos. Segundo, os meses com receita acima da média compensam os períodos de queda — e, ao longo do tempo, a consistência dos aportes tende a superar em importância o valor de cada contribuição individual. Os juros compostos fazem o trabalho pesado quando o hábito de investir se mantém.
Reserva de emergência antes dos investimentos de longo prazo
Antes de direcionar recursos para investimentos de longo prazo, vale construir uma reserva de emergência equivalente a entre 3 e 6 meses de custos fixos. Para quem empreende, essa reserva é ainda mais importante: uma queda inesperada de receita ou uma despesa não planejada no negócio pode pressionar a pessoa a resgatar investimentos de longo prazo antes do momento ideal, comprometendo a estratégia de aposentadoria.
A reserva de emergência deve estar em um investimento com liquidez imediata, como CDBs com liquidez diária. Como exemplo ilustrativo, o app do Mercado Pago oferece uma conta remunerada que pode funcionar como ponto de partida para guardar esse dinheiro com rendimento automático, sem prazo de carência. É uma entre várias opções disponíveis no mercado para quem busca liquidez aliada a algum retorno sobre o valor guardado.
Com a reserva estruturada, os investimentos de longo prazo ficam protegidos de resgates prematuros — e a estratégia de aposentadoria ganha mais estabilidade, mesmo em meses de receita mais baixa.
Revisão periódica do plano de aposentadoria para quem empreende
Montar uma estratégia de investimentos para a aposentadoria é um ponto de partida, não um processo que se encerra após a primeira decisão. Mudanças no negócio — como crescimento de faturamento, transição de MEI para ME ou abertura de novas frentes de receita — podem alterar a capacidade de aporte e o perfil tributário, o que impacta diretamente na escolha dos produtos mais adequados. Revisitar o plano ao menos uma vez por ano permite fazer ajustes antes que pequenas defasagens se acumulem.
O cenário econômico também influencia a estratégia. Variações na taxa Selic afetam a rentabilidade de títulos de renda fixa; a inflação impacta o poder de compra futuro; e mudanças nas regras do INSS podem alterar as condições de aposentadoria. Acompanhar esses fatores — mesmo que de forma resumida — ajuda a tomar decisões mais informadas sobre onde alocar os recursos.
Por fim, o perfil de risco tende a mudar conforme a pessoa se aproxima da aposentadoria. Quem está a 20 anos da idade mínima pode tolerar maior exposição a renda variável; quem está a 5 anos provavelmente vai preferir migrar para investimentos mais conservadores, priorizando a preservação do patrimônio acumulado sobre o potencial de retorno.
Perguntas frequentes sobre aposentadoria para quem empreende
Quem é MEI consegue se aposentar com mais de um salário mínimo?
Pelo Plano Simplificado, que é o modelo padrão do DAS-MEI com contribuição de 5%, a aposentadoria fica limitada a um salário mínimo. Já pelo Plano Normal, com contribuição total de 20% (5% via DAS + 15% via GPS), o benefício é calculado pela média salarial ao longo da vida profissional, o que pode resultar em um valor maior. Investimentos complementares como previdência privada e renda fixa também podem gerar renda adicional na aposentadoria, além do benefício do INSS.
Qual a diferença entre PGBL e VGBL para a aposentadoria?
O PGBL permite deduzir as contribuições da base de cálculo do IR em até 12% da renda bruta anual, o que o torna mais vantajoso para quem faz a declaração completa. O VGBL, por sua vez, tem a tributação incidindo apenas sobre os rendimentos no momento do resgate — uma característica mais adequada para quem usa a declaração simplificada ou já atingiu o teto de dedução do PGBL. Os dois produtos oferecem flexibilidade de aportes e possibilidade de resgate no longo prazo.
Quanto uma pessoa empreendedora deveria investir por mês para a aposentadoria?
Não existe um valor universal — o montante ideal depende do custo de vida desejado na aposentadoria, do prazo disponível e dos investimentos já realizados. Uma referência prática é separar entre 10% e 20% da receita líquida mensal. Quanto antes os aportes têm início, menor tende a ser o valor necessário por mês, já que os juros compostos atuam por um período mais longo.
Posso investir para a aposentadoria mesmo ganhando pouco?
O Tesouro Direto, por exemplo, aceita aportes a partir de cerca de R$ 30, o que o torna acessível para diferentes níveis de renda. O fator mais relevante não é o valor inicial, mas a consistência dos aportes ao longo do tempo. Começar com valores menores e aumentar os aportes conforme o negócio cresce pode ser uma estratégia viável para quem ainda está em fase de estruturação financeira.
Organizar o dinheiro do dia a dia costuma ser o primeiro passo concreto para quem quer construir uma aposentadoria fora do INSS. Se você ainda não tem uma reserva de emergência estruturada, o app do Mercado Pago poderia ser um ponto de partida: a conta remunerada permite que o dinheiro guardado renda de forma automática, com liquidez imediata, enquanto você estrutura os investimentos de longo prazo. É uma alternativa entre outras disponíveis no mercado — o importante é dar o primeiro passo com consistência.
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